
Ponte de Lima pode demolir o açude
A Câmara Municipal de Ponte de Ponte de Lima está a preparar um projecto para mexer no açude no Rio Lima, pretendendo resolver o problema do assoreamento e propagação de algas. A intervenção poderá implicar a demolição total do açude e a construção de um novo ou adaptar o que já existe com um acoplado com a integração de comportas para a libertação periódica das águas.
“A ideia seria fazer a limpeza da bacia uma ou duas vezes por ano, mas essa periodicidade terá que ser gerida pelo Instituto da Conservação da natureza e das Florestas para desassorear e ao mesmo tempo fazer a limpeza das algas que vão aparecendo”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, notando que o actual estado do açude obriga a intervenções regulares.
“O grande problema é que num curto espaço de tempo, que é cíclico, temos um acumulado grande de areias, provenientes da deposição de outros terrenos. É natural”, vincou o autarca, frisando que a acumulação da areia condicionará, e poderá mesmo impedir, a prática de canoagem, e facilita o aparecimento das algas. “Quanto mais fundo for o leito do rio menos probabilidade de a luz chegar ao fundo e haver propagação das algas com esta rapidez”, sustentou.
De acordo com o edil limiano, o projecto está a ser estudado com as diversas entidades envolvidas, nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente, ICNF, Direcção Regional de Cultura, Infra-estruturas de Portugal, Rede Natura, entre outras, o que não facilitará a definição dos trabalhos. “Quando estamos dependentes dos pareceres de tantas entidades, por norma estes projectos demoram um pouco”, declarou, recordando que a aprovação do projecto para a construção do actual açude demorou pelo menos oito anos. “Para se chegar à conclusão óptima que não resolve”, ironizou. “Na altura não deixaram fazer de outra maneira, mas agora podemos ter mais alguma abertura porque com o avançar do tempo percebeu-se com alguma facilidade que, realmente, tem os seus inconvenientes, tanto é que pelo menos já fizeram uma intervenção na limpeza das algas que lhes custou 400 mil euros. Se isto se repetir de dois em dois anos, mais vale adaptar o açude para se ter um custo de manutenção consideravelmente mais reduzido”, vincou, notando que o estudo está a ser preparado há mais de um ano. “Tentaremos encontrar soluções de financiamento, através de fundos comunitários ou do fundo ambiental. Mas, em última estância, a Câmara está disponível para fazer o investimento e já manifestamos isso”, realçou.


Depois da aquisição dos dois edifícios que estão em frente ao Teatro Diogo Bernardes à Santa Casa da Misericórdia, o processo pôde avançar a passos largos, uma vez que o projecto já estava pronto há algum tempo. “A ideia era avançar com o concurso público até ao final do ano. Admito que não será possível, mas, na pior das hipóteses, no início do ano avançará”, declarou, realçando que “a rua vai mudar completamente”. “O alargamento e reperfilamento da rua vai permitir um traçado praticamente directo”, declarou, revelando que as saídas junto ao túnel serão alargadas e a rua do cemitério também será reperfilada, implicando a construção de uma rotunda naquela zona. “Ainda é uma obra complexa que nos vai dar muitas dores de cabeça porque é um dos principais acessos, mas é uma grande necessidade”, salientou, explicando que o condicionamento no acesso deverá ser feito por fases. “O que gostaríamos é que quando acabasse a obra na Rua General Norton de Matos pudéssemos avançar com esta”, frisou, prevendo que a intervenção possa arrancar logo após as Feiras Novas de 2024. “Na primeira fase da obra não existirão grandes constrangimentos à circulação na via pública porque vamos fazer a demolição das casas, a construção dos muros de suporte às novas plataformas e reperfilar o muro da Villa Moraes. Quando entrarmos na intervenção na rua propriamente dita terá que haver cortes, mas vamos tentar fazer por fases”, declarou, apontando que a obra deverá demorar cerca de um ano.